Como fazer provas?

Como fazer provas

Um guia sobre como elaborar uma boa avaliação
Introdução

Imagine que você acordou com uma vermelhidão e coceira nos olhos, e mal consegue enxergar. Sem saber o que fazer, procura um médico, e ele pede que você faça um raio x da sua perna direita. Depois, ele observa a chapa do exame e diz que você pode ficar tranquilo, que não há nada quebrado. Uma situação dessas parece absurda, mas é algo muito semelhante ao que acontece quando aplicamos uma avaliação mal elaborada para nossos alunos.

Neste artigo, eu vou falar um pouco sobre os tipos de avaliação mais comum (objetiva, dissertativa, seminário, trabalho, prova oral etc) e apontar as vantagens e desvantagens de cada modelo. Antes, porém, eu quero discutir um pouco a necessidade de elaborar bem uma prova e, para que elas servem.

Planejar aulas e avaliação

Uma impressão que permanece desde nosso tempo de estudante é de que uma prova marca um fim de uma etapa: o professor dá uma sequência de aulas e, quando acha que já é suficiente, marca uma avaliação. Esta abordagem traz um problema: ela faz parecer que o propósito das aulas não era ensinar, mas preparar os alunos para fazer uma prova. E isso não é bom. Responder uma prova não pode ser a finalidade da aprendizagem, mas parte dela.

Assim, quando o professor vai preparar suas aulas, ele também deve preparar, junto, a prova que pretende aplicar em algum momento. Isso é especialmente necessário se a gente entender que a prova não serve para descobrir qual aluno sabe mais e qual sabe menos, mas para avaliar se as escolhas e métodos do professor deram resultado.

Por isso, o tipo de avaliação também precisa ser planejado junto com a aula. Vamos tomar em um exemplo da Matemática: imagine que uma professora deu seis aulas sobre multiplicação entre números de dois algarismos e, no final, termina a sequência com uma prova de teste. Neste cenário, ela jamais vai conseguir avaliar se os alunos sabem os mecanismos da multiplicação, porque só é possível julgar as respostas das alternativas.

Para resumir: quando for preparar suas aulas, pense: qual é a melhor maneira de avaliar esse conteúdo que eu vou ensinar? Qual parte dele é mais importante? Qual prova vai me dar mais informações sobre a aprendizagem dos meus alunos? Avaliações melhor elaboradas não significam que seus alunos vão tirar notas mais altas, mas que os resultados vão ser mais fieis àquilo que eles conseguiram ou não aprender – e esta informação é fundamental para o prosseguimento das aulas.

A seguir, faço um comentário sobre os tipos de provas mais comuns na sala de aula, apontando o que eu considero vantajoso e desvantajoso em cada um deles. Vale dizer, antes de começar, que estes pontos não fazem um modelo de prova ser melhor do que o outro, mas somente mais adequado para certas situações.

Prova objetiva

Também chamada de prova de múltipla escolha ou, como dizem os alunos, prova de marcar X, consiste em uma sequência de perguntas que são respondidas marcando a alternativa correta para cada uma.

Vantagens

É uma prova de correção rápida e, como o nome indica, objetiva, já que as respostas não irão variar, e não será necessário decidir o quanto elas estão corretas. Provas objetivas também são boas para comparar notas entre os alunos, já que todos foram avaliados pelo mesmo critério.

Desvantagens

Como só as respostas são avaliadas, todo o raciocínio que o aluno teve (ou não teve) para chegar à resposta não pode ser acessado; além disso, é um tipo que permite acerto no chute (o que impede o professor de garantir que aquele é o desempenho do aluno) e tem grandes possibilidades de cola entre os estudantes.

Prova dissertativa

Prova em que os alunos devem escrever as respostas e, no caso de cálculos, mostrar as contas feitas.

Vantagens

É uma prova que permite grande variação de tipo de questão e que permite ao professor compreender o raciocínio do aluno, além de possibilitar que a correção tinha níveis de acerto (meio certo, 75% certo etc).

Desvantagens

Essa prova exige um tempo grande de correção do professor, e, por isso, sempre gera inconstância nos critérios de correção: às vezes, uma resposta é dada como errada no início e, nas provas finais, o critério muda.

Prova oral

Prova de aplicação individual, em que o professor faz perguntas diretamente ao aluno, que deve responde-las falando, ao invés de escrever.

Vantagens

É um tipo de prova que permite bastante flexibilidade – durante o exame, as perguntas podem ficar mais fáceis ou mais difíceis, dependendo do desempenho do aluno. Outra vantagem é que a prova oral permite que alunos que não se dão bem com provas escritas possam demonstrar o que aprenderam.

Desvantagens

Como a aplicação precisa ser individual, provas orais levam muito tempo para serem executadas em turmas grandes. Também por causa do atendimento um a um, cria-se o problema sobre o que fazer com o restante da sala que precisa esperar. Soma-se a isso o fato de que é bastante difícil manter os alunos que já fizeram a prova isolados dos outros, sem que contem como ela é.

Seminário

Nesta avaliação, o professor dá um tema a um grupo de alunos, que precisa montar uma exposição oral para a turma.

Vantagens

É um tipo de avaliação que movimenta vários saberes do aluno. Para montar um seminário, é necessário um trabalho grande de pesquisa e recorte de informação, somado a escolhas sobre como apresentá-la.

Desvantagens

Quando mal realizados, seminários costumam ser desinteressantes para o restante da turma que tem que assisti-lo, o que quase sempre acaba em indisciplina. Além disso, avaliações em grupo geram o problema comum de avaliar um trabalho coletivo, sem ter clareza da participação de cada integrante.

Trabalho feito em casa

Avaliação em que o aluno deve elaborar um trabalho em casa e entregar dentro do prazo.

Vantagens

Esta avaliação incentiva a capacidade de planejamento, pesquisa, filtragem e apresentação de informação por parte do aluno. Ao pesquisar em várias fontes, ele desenvolve autonomia de pensamento e de decisão sobre a relevância das informações.

Desvantagens

Por ser uma avaliação feita sem a supervisão do professor, toda a sua realização fica oculta, aparecendo apenas o resultado. Por isso, sempre existirá a possibilidade de que o aluno apresente um trabalho feito com ajuda de outra pessoa, ou simplesmente copiado de um colega ou da internet, o que inviabiliza qualquer avaliação eficiente.

Avaliação seriada ou portfólio

Este modelo fragmenta a avaliação. Ao invés de aplicar uma única prova ao final de uma sequência de aulas, a avaliação seriada ou portfólio aplica uma avaliação reduzida ao final de cada aula, sendo a nota do aluno a soma de todas as atividades realizadas.

Vantagens

Quando faz uma única avaliação, ela nem sempre irá refletir com precisão o que o aluno é capaz de fazer (ele pode estar em um dia ruim ou, ao contrário, acertar por sorte ou por cola); na avaliação seriada, ao fazer uma sequência grande de avaliações, os resultados são bem mais próximos do que o estudante realmente compreendeu. Além disso, este modelo também aproxima a aula e a avaliação.

Desvantagens

A avaliação seriada aumenta consideravelmente o volume de correções que precisa ser feita pelo professor; outro fator complicador é que, ao aplicar uma avaliação por aula, o planejamento fica um pouco engessado, já que a aula precisa ter espaço suficiente para o conteúdo e a avaliação no mesmo dia.

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